Comunicação com respeito as diferenças

Vivemos no País que mais mata LGBTs no mundo. A orientação sexual de uma pessoa não interfere no seu dia a dia, no seu caráter. É um comportamento que deve ser respeitado. Todos têm o direito de divergir, mas é fundamental respeitar.

O Comunicação Livre acredita, desde do inicio, que é preciso entender as diferenças e respeitá-las, e seguiremos fazendo um jornalismo plural e dinâmico, defendendo os direitos humanos e a democracia.

Bohemian Rhapsody sofre censura de cenas LGBT na China

Apesar do sucesso que fez o ator Rami Malek receber o Oscar de Melhor Ator, o filme Bohemian Rhapsody vai ser alvo de censura na China.

A cinebiografia de Freddie Mercury e a formação da banda Queen, vai receber algumas alterações no país. Segundo o Hollywood Reporter, as cenas que envolvem a temática LGBT e também o uso de drogas devem ser removidas.

Então, o longa chegará aos cinemas locais, sem as menções a sexualidade do astro do rock. A publicação ainda dá conta que até mesmo o discurso de Malek na maior premiação do cinema, também foi editado.

No momento que o astro cita, Mercury como um homem gay foi substituído ao que tudo indica por “grupo especial” nas legendas.

Fonte: Observatório G

Papa Francisco diz que pais de crianças homossexuais não devem condená-las ou ignorá-las

Papa Francisco fala com jornalistas em avião na volta a Roma após visita à Irlanda  (Foto: Gregorio Borgia/AP)
(Foto: Divulgação)

O Papa Francisco afirmou no domingo (26) que pais de crianças homossexuais não deveriam condená-las, ignorar sua orientação sexual ou expulsá-las de casa. Em vez disso, o pontífice recomendou que os pais rezem, conversem e tentem entender.

Em uma entrevista coletiva no avião que o levou de volta a Roma após uma viagem à Irlanda, o papa foi questionado sobre o que ele diria a um pai de uma criança que acabou de revelar que é homossexual. O pontífice disse que primeiro sugeriria a oração.

“Não condene. Dialogue. Entenda. Dê espaço para a criança para que ela possa se expressar”, afirmou o papa.

Francisco afirmou que pode ser necessário procurar ajuda psiquiátrica se uma criança começar a exibir traços “preocupantes”, mas que a situação é diferente quando se trata de um adulto.

“Quando é observado a partir da infância, há muito que pode ser feito por meio da psiquiatria, para ver como são as coisas. É outra coisa quando se manifesta depois dos 20 anos”, disse Francisco, segundo a France Presse.

Ele pediu aos pais que não respondessem à situação com silêncio. “Ignorar a criança com essa tendência mostra falta de maternidade e paternidade. Esta criança tem o direito a uma família. E a família não está jogando essa criança fora”, declarou.

Não comenta acusações

O Papa Francisco disse que não responderia às acusações do ex-embaixador do Vaticano de que o pontífice havia encoberto abusos sexuais, dizendo que o documento revelado por Carlo Maria Viganò “fala por si”.

Francisco afirmou que “não dirá uma palavra” sobre documento de 11 páginas, no qual o ex-funcionário diz que Francisco deveria renunciar. O pontífice disse que os jornalistas devem ler o o comunicado cuidadosamente e decidir por si mesmos sobre sua credibilidade.

“Li o documento hoje de manhã. Li e vou dizer com sinceridade que devo dizer isso, a você (ao repórter) e a todos vocês interessados: leia o documento cuidadosamente e julgue por si mesmo”, disse o Papa Francisco.

“Eu não vou dizer uma palavra sobre isso. Eu acho que a declaração fala por si e você tem capacidade jornalística suficiente para chegar às suas próprias conclusões”, completou o pontífice.

Viganò, de 77 anos, fez a declaração aos meios de comunicação católicos conservadores durante a visita do Papa à Irlanda, que teve como centro dos temas abusos sexuais da Igreja naquele país e em outras partes do mundo.

O ex-embaixador acusou uma longa lista de autoridades atuais e do passado, do Vaticano e da Igreja dos EUA, de encobrir o caso do ex-cardeal Theodore McCarrick, arcebispo aposentado de Washington D.C.

McCarrick, de 88 anos, renunciou ao cargo no mês passado e foi destituído de seu título após alegações de que ele havia abusado de um menor há quase 50 anos e também forçou seminaristas adultos a dividir sua cama.

Fonte: G1

LGBTs costumam frequentar mais espaços culturais, comprova pesquisa

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(Foto: Divulgação)

Membros da comunidade LGBT costumam frequentar mais espaços culturais do que heterossexuais é o que concluiu a pesquisa Cultura nas Capitais, realizada pela JLeiva Cultura & Esporte.

O relatório contou com 10.630 entrevistados com pessoas acima dos 15 anos de 12 capitais brasileiras, e apesar de não apresentar números trouxe alguns dados que podem comprovar a afirmativa, tais como: mais anos de estudo e consequentemente mais dinheiro por isso.

Homo e bissexuais tem maior grau de escolaridade [41% dos ouvidos tem grau superior contra apenas 26% dos heterossexuais cisgêneros], além de estar em maior proporção nas classes A e B, cerca de 43% contra 38% dos héteros.

A pesquisa afirmou ainda que em 7% dos entrevistados não foi possível saber análises profundas a respeito do consumo de itens tais como shows, dança, livros e cinema.

Fonte: Observatório G

Cuba reforma Constituição para reverter décadas de homofobia

Roiniel Torres e Dariel Hernández conversam no Malecón de Havana.
Roiniel Torres e Dariel Hernández conversam no Malecón de Havana. YANDER ZAMORA

A Assembleia Nacional de Cuba debateu no último domingo (22) um artigo da futura reforma constitucional que abre caminho para o reconhecimento do casamento homossexual na ilha comunista. No anteprojeto, que foi aprovado no fim de semana pelos parlamentares e será submetidos nos próximos meses a consulta popular, o casamento é redefinido como a “união entre duas pessoas”. O texto atual especifica o matrimônio como a união de um homem e uma mulher. A aprovação do artigo representa um avanço importante num país que arrasta o peso de décadas de discriminação a seus cidadãos por sua orientação sexual, e que nos anos sessenta chegou a internar gays em campos de trabalhos forçados.

“Com esta proposta de regulamentação constitucional, Cuba se situa entre os países da vanguarda no reconhecimento e na garantia dos direitos humanos”, afirmou a deputada Mariela Castro, que é filha do ex-presidente Raul Castro e uma das principais promotoras do reconhecimento dos direitos da comunidade LGTBI na ilha, na qualidade de diretora do Centro Nacional de Educação Sexual. A parlamentar disse que a reforma constitucional estabelecerá as bases para que futuramente se possa aprovar o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo em uma legislação específica, inclusive contemplando a adoção de crianças por casais de gays e lésbicas. “O Estado deve garantir a todas as famílias os seus direitos e as vias para alcançar estes fins”, acrescentou.

O deputado Miguel Barnet, presidente da União de Escritores e Artistas de Cuba, disse sentir “imenso orgulho” desse avanço. “Estamos inaugurando uma nova era. Esta é uma Constituição dialética e moderna. E, se for preciso quebrar a tradição, que se quebre. No socialismo não cabe nenhum tipo de discriminação entre seres humanos. Sou a favor do artigo 68 [sobre o casamento] da nova Constituição. Senhores, o amor não tem sexo”, afirmou. A parlamentar Yolanda Ferrer defendeu que a diversidade sexual seja “um direito, e não um estigma”, e pediu que “séculos de atrasos” sejam deixados para trás. “Quantas pessoas conhecemos que são homossexuais ou bissexuais e são pessoas dignas, e que estão a cada dia juntas de nós e muitas vezes vivem juntas, mas às quais negamos o direito de constituir família?”, questionou.

A perspectiva de que Cuba autorize o casamento homossexual foi recebida com satisfação pela comunidade LGBTI na ilha, mas em comentários nas redes sociais alguns ativistas salientaram a necessidade de que o avanço nesse aspecto dos direitos sociais seja acompanhado de mais liberdades políticas e de associação.

O projeto de reforma constitucional não prevê nenhuma mudança no sistema político, mantém o Partido Comunista como único partido legal e, embora elimine a referência ao comunismo como modelo ideal, impõe a “irrevogabilidade do socialismo”. O texto foi aprovado unanimemente pelos 605 deputados e, com relação à Constituição vigente, de 1976, escrita sobre o molde das constituições do bloco comunista europeu, contém novidades substanciais, como o reconhecimento da propriedade privada e a instituição do cargo de primeiro-ministro. O projeto será submetido a consulta popular entre 13 de agosto e em 15 de novembro, e finalmente deverá ser aprovado em um referendo ainda sem data marcada.

Falando por telefone de Havana, o ativista LGBTI Isbel Torres, de 43 anos, dizia neste domingo estar “muito contente” com a mudança constitucional sobre o casamento, que ele não esperava. “Achava que as forças mais retrógradas dentro do Governo teriam o poder de evitar, mas felizmente não foi assim”. Torres vê na decisão um passo imprescindível, mas acrescenta que ainda resta “muito trabalho por fazer”. “Cuba continua sendo um país bastante homofóbico, mais nas províncias que na capital, é verdade; mas a homofobia e sobretudo a transfobia abundam, e em nível institucional a polícia e o Exército são lugares onde a homofobia se expressa de maneira terrível. Nas escolas, além disso, o bullying homofóbico é muito comum, e não existe nenhum tipo de prevenção.”

Uma das páginas mais obscuras do castrismo foi a existência, entre 1965 e 1968, das Unidades Militares de Ajuda à Produção, campos de trabalhos forçados para a “reeducação” de indivíduos que o regime do Fidel Castro considerava extraviados com relação à moral revolucionária. As tenebrosas UMAP recebiam delinquentes comuns, dissidentes políticos, religiosos e homossexuais, entre outros. Estima-se que nelas foram encerrados cerca de 30.000 cubanos, sendo 800 deles especificamente por serem gays.

Um passado de torturas

O historiador Abel Serra Madero, estudioso das UMAPs, conta ao EL PAÍS que os detentos chegavam a ser torturados nesses centros, e critica o fato de o Governo cubano nunca ter pedido perdão por isso, e muito menos indenizado as vítimas. “Sempre tentaram demonstrar que as UMAPs foram um erro, e Fidel Castro se isentou das responsabilidades dizendo que estava muito ocupado governando e não sabia o que acontecia ali. Mas não foram um erro isolado. As UMAPs foram um fenômeno sistêmico da revolução.”

Emilio Izquierdo, diretor da associação UMAP Miami, que denuncia o ocorrido nos campos de trabalhos forçados, considera que eles foram “um crime contra a humanidade que deveria ser julgado como tal”. Izquierdo, de 70 anos, passou dois anos preso numa UMAP da província de Camagüey por ser dissidente político e recorda a crueldade especial com que os detentos homossexuais eram tratados. “Eram separados do resto e faziam equipes de trabalho composto só por gays, dividindo-os em grupos diferentes os ativos e os passivos e submetendo-os a todo tipo de insultos, surras e trancamento em calabouços”.

BAR DE HAVANA PROÍBE CASAL GAY DE TIRAR UMA FOTO

A homofobia continua muito viva em Cuba. Um caso recente de discriminação é o de Brian Canelles e Arián Abreu, que em 8 de julho foram expulsos de um bar de moda no centro de Havana, o Efe, por tirar uma foto se beijando. À revista El Estornudo, editada na ilha apesar da proibição da imprensa independente, Canelles contou que um funcionário do local lhe disse que o bar não queria “expor essa imagem”. Perguntou a que imagem se referia. “O público gay não interessa para o bar. Não queremos ganhar essa fama”, foi a resposta, segundo o relato de Canelles. Já depois da meia-noite, Abreu, Canelles e sua irmã foram expulsos do local. Segundo o jovem, um segurança agarrou-o pelo braço e o levou-o até a porta. “Eu disse a ele que havia gastado muito dinheiro no bar e que não iria embora sem tirar a foto. Aí ele me retirou e simplesmente fechou a porta”, disse Canelles à revista cubana, pedindo que a empresa se desculpe pelo ocorrido. “É um negócio privado, mas não merecemos ser tratados assim”, disse.

Em declarações ao Estornudo, uma fonte do bar disse que o estabelecimento não tem uma política de discriminação por orientação sexual: “Não somos contra nada. Este é um lugar aberto”, disse. Em sua página do Facebook, o bar publicou uma mensagem em que prometia “sempre erguer a bandeira contra a homofobia”.

O caso teve repercussão em Cuba, e muitas vozes se levantaram para denunciá-lo. Até o Centro Nacional de Educação Sexual, dirigido por Mariela Castro, filha de Raúl Castro, emitiu nota afirmando que “está a par do ocorrido recentemente no Bar Efe da capital, e, consequentemente, está trabalhando para conhecer detalhes dos fatos, auxiliar as pessoas afetadas no processo e informar às autoridades competentes”. Dois dias depois do ocorrido com o casal, uma edição extraordinária do Diário Oficial publicou um decreto em que, entre outras medidas, prevê multa de 2.000 pesos cubanos (287 reais) e o fechamento de qualquer negócio privado que cometer discriminação por gênero ou orientação sexual. O Código Penal cubano prevê até dois anos da prisão a quem discriminar a outra pessoa.

Fonte: EL País

LGBTs em cargos de chefia são minoria, aponta estudo

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(Foto: Divulgação)

Um estudo britânico do Instituto of Labor Economics (IZA) feito com quase 650 mil adultos revelou que lésbicas e gays ainda encontram muita dificuldade para ter o seu esforço reconhecido em seu local de trabalho, e cargos de chefia como gerência e direção ainda são um ponto distante quando se trata de promoções e crescimento na carreira.

Apesar da pesquisa apontar com estatísticas que a maioria dos homens gays têm melhor desempenho em comparação aos héteros, as funções mais altas das empresas não são exercidas pelos membros da comunidade LGBTQ.

A pesquisa mostra ainda que a discriminação é o maior motivo para que gays não tenham as mesmas oportunidades de subir em seus empregos. Homens e mulheres bissexuais também sofrem com a possibilidade menor de se inserirem da melhor forma no mercado de trabalho que os héteros.

Quando se trata de LGBTs negros a situação se agrava ainda mais. Para reverter este caso, o relatório conclui o óbvio. “mulheres e não-brancos em cargos gerenciais potencialmente aumentam o acesso para aqueles que estão mais para baixo na escada gerencial e de supervisão – com características semelhantes – a serem promovidos“

“Tal como acontece com a representação de mulheres e grupos minoritários em conselhos de administração, existe o potencial de mudar para um resultado mais representativo de forma mais ampla dentro da organização”, disse a conclusão da pesquisa.

Fonte: Observatório G

‘Existem gays na PM, e muitos’, diz soldado ameaçado de SP

Há quase quatro anos, Leandro Prior conta que teve de responder a um questionário para entrar na Polícia Militar (PM) de São Paulo que perguntava sua opinião a respeito do “homossexualidade”. Disse ter respondido que “não achava nada” até porque também é “homossexual”.

Aprovado, trabalha desde então no 13º Batalhão da PM, na capital paulista. Ele atua na Força Tática por meio do Programa Vizinhança Solidária na Cracolândia, área da região central de São Paulo conhecida pelo tráfico e consumo de drogas ao ar livre.

Nesse período, Prior se lembra de ter sido vítima de preconceito por conta de sua orientação sexual uma única vez diretamente e, nas outras, de forma velada.

“Houve um caso onde apontaram o dedo. Foi dito que ‘com ele eu não trabalho’. Foi direto, curto e grosso. E a pessoa disse: ‘você sabe por que’. […] Os outros casos são velados, mas esse foi o único caso mais direto antes desse caso do vídeo”, conta o PM.

“O caso do vídeo” a que se refere o soldado é o que foi feito por celular sem sua autorização. As imagens mostram o policial fardado beijando na boca outro homem, em trajes civis, no Metrô de São Paulo. Nada anormal para uma capital que todo ano tem uma das maiores paradas LGBTs do mundo e desenvolve campanhas contra a discriminação por gênero e orientação sexual.

Mas quem filmou Prior dando um “selinho” em seu amigo não entendeu assim. Naquela ocasião, o policial havia deixado o trabalho, mas aparecia fardado dentro de um vagão da Linha 3-Vermelha do Metrô, o que chamou a atenção do desconhecido que gravou a cena.

Segundo Prior, até a corporação informa que não há regulamento que proíba manifestações de afeto fora do ambiente profissional. “Acredito que não seja proibido pelo artigo 104 da I-24 PM, onde ela permite atos de afeto fora da administração, área de administração militar”, diz o soldado de 27 anos.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria da Segurança Pública (SSP) para comentar o assunto. A pasta divulgou nota abaixo, na qual informa que foram oferecidas medidas protetivas para a segurança de Prior, além de a Polícia Civil e PM estarem apurando quem são os policiais responsáveis pelas mensagens homofóbicas contra ele. Segundo a Segurança, sobre as questões formuladas na entrevista de admissão do policial na corporação, elas “não objetivam identificar a orientação sexual do candidato”. (leia mais no final do texto).

Vídeo viralizou

Além de filmar o beijo que Prior deu no rapaz para se despedir, o responsável pela gravação resolveu compartilhar o vídeo, primeiramente num grupo fechado de policiais no aplicativo de celular WhatsApp. Logo depois a filmagem viralizou, mudando a vida de Prior a partir de junho.

“Não faço ideia [de quem gravou o vídeo], mas quero saber”, diz Prior, que não percebeu a gravação e busca a punição de quem a compartilhou. “Se tivesse percebido, eu mesmo teria tirado o celular da pessoa. Estou me sentindo assim… Como é que eu posso te dizer? Ainda um pouco aéreo, um pouco baqueado porque tomou uma repercussão muito grande”.

Da esquerda para a direita: vídeo com beijo de soldado beijando homem no Metrô de SP viralizou e gerou ofensas nas redes sociais, como a do lado, postada por um policial da Rota (Foto: Arquivo/Reprodução/Redes Sociais)
Da esquerda para a direita: vídeo com beijo de soldado beijando homem no Metrô de SP viralizou e gerou ofensas nas redes sociais, como a do lado, postada por um policial da Rota (Foto: Arquivo/Reprodução/Redes Sociais)

Ameaça de morte

A cada compartilhamento nas redes sociais, Prior recebia um xingamento, uma ofensa e até ameaças de morte acompanhando o vídeo.

“Aqui não aceitamos um policial fardado em pleno Metrô beijando um homem na boca. Desgraçado, desonra para minha corporação. Esse tinha que morrer na pedrada! Canalha safado! Se alguém não gostar desse comentário, f* você também!”, é uma mensagem postada na página do Facebook de um policial militar das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da PM.

Declarações como essa levaram Prior a acionar a Polícia Civil e a Polícia Militar para tomarem providências criminais e administrativas contra policiais que o estão ameaçando. Os casos são acompanhados pelo advogado de Prior, José Beraldo, membro do Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Ariel de Castro, e o ouvidor da Polícia, Benedito Domingos Mariano.

“Eu tenho diversos prints, e 90% a 95% das pessoas que fazem comentário de ódio em todas as redes sociais contra a minha pessoa e a minha vida são vindas de policiais militares”, informa Prior.

Mesmo figurando como vítima de homofobia, o soldado terá de responder a um procedimento administrativo também na corporação. Segundo a PM, a atitude de Prior no Metrô não obedeceu a regras de segurança exigidas pela corporação. Ele teria deixado o coldre da arma aberto. Sua arma foi recolhida.

 Leandro Prior começou a sofrer ofensas e ameaças em redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)
Leandro Prior começou a sofrer ofensas e ameaças em redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)

Tratamento médico

Alegando motivos de saúde, Prior pediu afastamento da PM para se tratar. Chegou a ser internado numa clínica psiquiátrica e vem tomando remédios contra pânico. Teria de voltar ao trabalho nesta quarta-feira (11), mas disse não ter condições de voltar as atividades ainda.

“Pela pressão, porque as pessoas não imaginam a dimensão que tomam os problemas. Era uma coisa pequena, tomou uma proporção muito grande. Você, do nada, começa a receber ameaças de todos os âmbitos. Eu acredito que, psicologicamente, ainda não esteja apto a retornar”, diz ele, que teria conseguido mais um mês de licença médica.

Na entrevista ao G1, Prior contou que teve de responder a um questionário sobre o que achava do “homossexualismo”. Segundo o ativista LGBTI Agripino Magalhães, que após o episódio passou a acompanhar o soldado e dar assessoramento a ele, o nome apropriado seria “homossexualidade”.

O “homossexualismo” alude a um período em que o termo representava o que então era considerado um distúrbio mental pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 1990, a OMS retirou o item da sua lista internacional de doenças.

“Recordo-me que disse que eu não achava nada [quando perguntado sobre o que achava do ‘homossexualismo’]. A condição sexual do indivíduo não iria interferir no atendimento de ocorrência da minha parte”, diz Prior. “Completei: não vejo problema algum, afinal também sou [homossexual]”.

Um questionário que circula nas redes sociais mostra algumas perguntas sobre “homossexualismo” que seriam feitas pela PM, segundo policiais que prestaram o concurso de admissão para a corporação. Por meio de nota, a SSP informou que a Polícia Militar não utiliza esse questionário.

Gays na PM

Prior, que em novembro completará quatro anos como policial militar, diz hoje sem medo: “Sim. Existem gays na PM e muitos”.

O soldado relata a existência de oficiais e comandantes homossexuais na PM paulista.

“Existem lésbicas, existem gays, existem trans. Continuam trabalhando e devem permanecer. Não é critério de diminuição dos índices criminais a condição sexual. Como qualquer outro lugar de chefia e direção de qualquer outra empresa ou corporação.”

Segundo ele, porém, a sociedade não tem tanto conhecimento da existência de gays na PM porque eles mesmo se escondem. “Existe um enorme preconceito na Polícia Militar contra gays”, diz Prior sobre outros policiais que usam de preconceito velado dentro da corporação contra homossexuais. “Um bom exemplo são perseguições feitas por outros PMs contra subordinados.”

Prior, que diz ter entrado na PM por “vocação”, se inspirou no pai, também policial militar, mas que cortou relações com o filho pelo fato de ele ser gay.

 Leandro Prior começou a sofrer ofensas e ameaças em redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)
Leandro Prior começou a sofrer ofensas e ameaças em redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)

O soldado também lamentou o fato de o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), ter criticado neste mês a sua atitude de beijar um amigo no Metrô.

“Eu entendo que deu um certo constrangimento [à corporação]. A Polícia Militar tem as suas regras próprias”, chegou a falar França sobre o episódio envolvendo soldado. “Ninguém quer com isso fazer nenhum tipo de punição, mas é preciso ver que a farda, como eu disse, é uma extensão do estado, e a farda tem que ser respeitada. Eu não vejo significado em você usar coldre, farda, e ficar fazendo gestos de amor expresso em público, seja com homem ou com mulher”, completou França.

“Eu acredito que o posicionamento do governador, ele não seja este tão somente. Ele é o chefe máximo da polícia e das polícias. Eu acredito que ele tenha um coração mais humano”, disse Prior sobre a fala de França.

Vítima de homofobia

As únicas certezas que Prior tem são de que foi “vítima de homofobia, sim” e “o preconceito não está na corporação, mas na pessoa”.

“Não compensa se esconder, dê a cara a tapa. Se esconder é pior. Você vai receber ameaças se se esconder, sofrer ameaças se colocar a cara ao sol. Coloque a cara a tapa, dê a cara a tapa, enfrente, lute. Porque, se você não lutar, você já perdeu”.

Existem também PMs que estão apoiando Prior. “Muito apoio dos policiais da minha companhia, do meu batalhão. Agradeço imensamente a todos que manifestam esse apoio nas redes sociais”, diz. “Pretendo e vou continuar na Polícia Militar”.

 Leandro Prior começou a sofrer ofensas e ameaças em redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)
Leandro Prior começou a sofrer ofensas e ameaças em redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)
 Leandro Prior começou a sofrer ofensas e ameaças em redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)
Leandro Prior começou a sofrer ofensas e ameaças em redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)

SSP

Por meio de nota, encaminhada pela assessoria da imprensa da SSP, a pasta da Segurança informa que:

“A Polícia Militar tem como um de seus alicerces a dignidade da pessoa humana e não discrimina ninguém por sua orientação sexual. É importante esclarecer que o policial procurou o serviço médico da instituição e foi encaminhado para tratamento de saúde no Centro de Atenção Psicológica e Social da Polícia Militar, portanto está afastado por motivo de saúde e sob orientação médica.

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) já instaurou inquérito policial para investigar os comentários nas redes sociais. A Polícia Militar também instaurou procedimento para apurar a conduta do policial que fez uma das publicações.

Além da investigação, a Instituição colocou à disposição do policial militar medidas protetivas, por meio da Divisão PM Vítima, da Corregedoria. Criada em 1983, a Divisão tem como objetivo apurar crimes cometidos contra policiais militares e dar apoio às vítimas.

A conduta do PM fardado no metrô é apurada única e exclusivamente sob o aspecto administrativo, pois demonstra postura incompatível com os procedimentos de segurança que se espera de um policial fardado e armado, que exigem que esteja alerta.

Cabe destacar que não se trata de um processo administrativo, e sim de uma análise com base no regulamento disciplinar (Lei Complementar 893/2001), que orientam sobre às regras básicas de segurança e cautelas na guarda de arma. O procedimento terá início quando o policial retornar as suas atividades, o que deve ocorrer quando ele receber alta médica.

No caso do questionário citado não é utilizado pela Polícia Militar. As questões formuladas na entrevista, para o exame psicológico realizado durante concurso, são de livre escolha do profissional e não objetivam identificar a orientação sexual do candidato.”

Fonte: G1